Maricá lidera recebimento de royalties de petróleo no país

Maricá, na Região Metropolitana do Rio, foi o município que mais recebeu royalties do petróleo no Brasil entre janeiro e julho de 2026. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), foram R$ 1 bilhão e 907 milhões no período.
O valor é 22% maior do que o recebido pela cidade nos primeiros sete meses de 2024, quando foram repassados R$ 1 bilhão e 520 milhões. No mesmo período de 2025, Maricá recebeu R$ 1 bilhão e 563 milhões.
Foi feito um cruzamento de dados dos repasses de royalties com as leis orçamentárias da Prefeitura de Maricá. O levantamento mostra mudanças na previsão de gastos em diferentes áreas do município.
Na saúde, o orçamento previsto para 2026 é de R$ 1 bilhão, uma redução de 33% em relação aos R$ 1 bilhão e 555 milhões previstos para 2024. Em 2025, o orçamento para a área foi de R$ 720 milhões.
Segundo a Prefeitura, o valor liquidado na saúde, que corresponde às despesas em que o serviço foi comprovadamente prestado, foi de R$ 1 bilhão e 167 milhões em 2024 e de R$ 1 bilhão e 45 milhões em 2025.
Em 2024, a saúde representava cerca de 22% do orçamento municipal. Em 2026, a participação é inferior a 15%. Moradores ouvidos pela reportagem relataram demora para o agendamento de consultas na rede municipal.
Na educação, o orçamento passou de R$ 1 bilhão e 260 milhões em 2024 para R$ 1 bilhão e 319 milhões em 2026, um aumento de 4,7%.
Já na segurança pública, a previsão de gastos passou de aproximadamente R$ 69 milhões, em 2024, para R$ 228 milhões neste ano. O aumento é de 231%.
Na Comunicação Social, o orçamento cresceu 39% no mesmo período, de R$ 71 milhões para R$ 99 milhões. Dentro da área, a previsão de gastos com comunicação digital aumentou 121%.
Parte dos recursos dos royalties é destinada ao Fundo Soberano de Maricá, criado pela prefeitura em 2017. Atualmente, o fundo tem R$ 2 bilhões e 104 milhões.
Para o doutor em Economia pela Universidade Federal Fluminense e diretor do Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros, Fernando Amorim Teixeira, o dinheiro guardado pode ser usado para financiar projetos de longo prazo.
Segundo o economista, a ideia é preservar o valor principal do fundo e utilizar os rendimentos para investimentos que possam gerar emprego, renda e arrecadação.

