A caminho da Região dos Lagos, Rodovia Amaral Peixoto terá 133 radares em 200 quilômetros

O feriadão de Corpus Christi chegando e uma das principais opções para quem pretende curtir o descanso na Região dos Lagos ou no Norte Fluminense é a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), que vai de São Gonçalo a Macaé. Mas, além do fim de outono frio e chuvoso, outro tema está dando o que falar: os radares da via. A instalação recente de novos equipamentos após licitação chama a atenção dos motoristas, que reclamam, por exemplo, da pequena distância entre eles em alguns pontos.
A novidade foi acompanhada de boatos e até de listas informais marcando as localizações dos equipamentos para ninguém ser multado. Mas calma: segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), os radares da via estão em fase de testes. A operação só deve começar na segunda quinzena deste mês, quando se inicia a aplicação de multas para quem exceder a velocidade nos pontos de fiscalização, como já ocorria anteriormente.
Alguns equipamentos estão cobertos por um plástico preto. Outros estão com os painéis que indicam as velocidades desligados. Mesmo assim, os motoristas não confiam. Próximo aos radares, os veículos reduzem a marcha para não extrapolar os limites informados nas placas.
— É um absurdo a quantidade de radares que estão sendo instalados nesta rodovia. Sou usuário e não vejo razão para tantos. Há pontos críticos, sim, mas vejo que a intenção é arrecadar — diz o aposentado Aderli Mendes Faria, morador de Niterói, que usa a RJ-106 com frequência para viajar até Cabo Frio, onde tem uma casa.
TCE analisa licitação
De acordo com o DER-RJ, a Amaral Peixoto terá, ao todo, 133 equipamentos, instalados em 78 pontos ao longo dos 200 quilômetros de extensão (o número é igual ao do contrato anterior, segundo o departamento). Em alguns locais, como na altura de Tribobó, em São Gonçalo, eles estão em apenas um sentido da via. A posição exata com todos os pontos de fiscalização eletrônica será divulgada pelo site do DER-RJ (der.rj.gov.br) ainda este mês, em data a ser definida.
A polêmica não para por aí. O pregão eletrônico para a compra dos equipamentos, realizado em setembro do ano passado, acabou na mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), após o deputado estadual Vitor Júnior (PDT) entrar com uma representação alegando “possível simulação de competitividade, no comprometimento da independência entre licitantes e na potencial utilização indevida de recursos públicos estratégicos”.
Em um dos lotes licitados, que inclui a RJ-104 (Niterói-Manilha), via que conta com 11 radares distribuídos por seis pontos de fiscalização eletrônica, e a RJ-106, a proposta vencedora era um centavo mais barata que a segunda colocada. Os outros dois lotes foram arrematados por uma diferença de R$ 1 mil. O caso está em análise na Corte de Contas.
