Macaé avança na implementação da política de cuidados paliativos

Foto : Bruno Campos

A primeira Conferência de Cuidados Paliativos de Macaé foi encerrada nesta quarta-feira (7), após dois dias de debates sobre os desafios e os caminhos para consolidar e integrar essa assistência na rede municipal. A programação reuniu especialistas, profissionais de diferentes áreas da saúde e representantes dos serviços para discutir a política nacional, práticas de cuidado e a atuação multiprofissional junto a pacientes e familiares.

Instituída pelo Ministério da Saúde em 2024, a Política Nacional de Cuidados Paliativos estabelece diretrizes para organizar essa assistência no SUS. A proposta é oferecer cuidado integral e humanizado às pessoas com doenças que ameaçam a continuidade da vida, com atenção não apenas aos sintomas físicos, mas também às necessidades emocionais, sociais e espirituais do paciente e de seus familiares. O cuidado pode ser oferecido junto a outros tratamentos e em diferentes pontos da rede de saúde.

Em Macaé, a Lei Municipal nº 5.420/2025 instituiu o Programa Municipal de Cuidados Paliativos, com o objetivo de ampliar a cobertura dos serviços, capacitar profissionais e integrar a assistência à rede de saúde. Práticas de cuidados paliativos já são realizadas no Hospital Público Municipal (HPM), enquanto o município trabalha para estruturar, integrar e aumentar essa assistência aos demais serviços da rede. Em outubro de 2025, a cidade promoveu o primeiro simpósio municipal sobre o tema, e o HPM realizou seu primeiro encontro dedicado aos cuidados paliativos. Em dezembro, foi criada, em caráter permanente, a Comissão Municipal de Cuidados Paliativos. Já em abril de 2026, a comissão aprovou a cartilha municipal. A realização da primeira conferência municipal representa mais uma etapa desse processo de construção e organização da política de cuidados paliativos em Macaé.

No segundo dia da conferência, a médica Sylvia Christina Câmara Gama Costa, responsável pelos cuidados paliativos no HPM, abordou a política nacional e as mudanças que ela propõe para a assistência no SUS. Ao explicar os princípios do cuidado, destacou a importância de prevenir e aliviar o sofrimento, considerando as necessidades de cada paciente.

“Os cuidados paliativos buscam prevenir e aliviar o sofrimento de pessoas com doenças graves. A equipe avalia e trata sintomas, como a dor, e considera também as necessidades emocionais, sociais e familiares de cada paciente”, explicou Sylvia.

Na sequência, o fisioterapeuta Sandro Leonard Machado Duque discutiu a contribuição da reabilitação nos cuidados paliativos. A palestra tratou da adaptação das intervenções às condições e prioridades de cada paciente, com atenção à funcionalidade, ao conforto e à autonomia.

“A reabilitação também faz parte desse cuidado. As intervenções devem respeitar a condição clínica e os objetivos de cada pessoa, contribuindo para o conforto e para a manutenção das capacidades possíveis”, afirmou Sandro.

À tarde, a psicóloga Fernanda Daflon e a neuropediatra Lívia Lobo conduziram o debate sobre os desafios da assistência a crianças com condições crônicas complexas. A programação foi encerrada com a palestra da psicóloga Camila Buttignol sobre dignidade e aplicações clínicas da Terapia da Dignidade.

A equipe multiprofissional do Polo Municipal de Oncologia também participou da conferência. Profissionais das áreas administrativa e técnica, incluindo fisioterapia, psicologia, Serviço Social, farmácia e fonoaudiologia, acompanharam os debates sobre a integração dos cuidados paliativos à rede.

“Para quem acompanha pacientes oncológicos, ampliar o conhecimento sobre cuidados paliativos significa oferecer um atendimento mais preparado, humano e integrado em todas as etapas. A participação de profissionais de diferentes áreas ajuda a alinhar as equipes e a compreender melhor as necessidades do paciente e de sua família. A conferência foi um passo importante para fortalecer essa política em Macaé”, afirmou o coordenador do Polo, Anderson Campos.

Para a coordenadora municipal de Cuidados Paliativos, Paloma Soares, a conferência representa um marco no processo de construção da política municipal e amplia o diálogo entre profissionais, gestores e serviços da rede. O trabalho envolve fortalecer a atuação multiprofissional, ampliar a integração entre os diferentes pontos de atenção e construir caminhos para que os cuidados paliativos estejam cada vez mais presentes na assistência à população.

“Já existem práticas de cuidados paliativos no município, como as desenvolvidas no HPM. A conferência amplia esse movimento de construção coletiva e nos permite discutir como organizar, integrar e fortalecer essas ações, avançando na consolidação da política municipal de cuidados paliativos em Macaé”, disse Paloma.